CFC anuncia criação de Grupo Estratégico para ampliar combate a ilícitos e fortalecer a integridade da atividade contábil

O presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra Filho, anunciou, durante a reunião Plenária realizada nesta quarta-feira (8), em Brasília, a criação do Grupo Estratégico de Integridade Contábil. A iniciativa marca uma nova diretriz institucional voltada ao fortalecimento da fiscalização e ao posicionamento ativo da profissão no enfrentamento de ilícitos, especialmente os relacionados à lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado.

Segundo o presidente, a medida decorre de um processo de amadurecimento institucional e da necessidade de o Sistema CFC/CRCs ampliar sua atuação em ambientes estratégicos de combate a práticas ilegais. “Temos uma diretriz clara: seremos intolerantes com práticas ilegais. Precisamos assumir um papel mais ativo, orientando os Regionais e participando de discussões junto a órgãos como Ministério da Justiça, Ministério Público e Secretaria Nacional de Segurança Pública”, afirmou.

O novo grupo, coordenado pela Vice-presidência de Fiscalização, Ética e Disciplina do CFC, terá como função acompanhar e monitorar situações de grande repercussão nacional que envolvam a atividade contábil. A proposta inclui a análise de casos concretos em que a contabilidade apareça de forma transversal em investigações, sempre dentro dos limites institucionais.

Bezerra ressaltou que a atuação do grupo não terá caráter punitivo ou de julgamento prévio. “Não se trata de defender, julgar ou pré-julgar profissionais. Nosso papel é esclarecer se houve ou não envolvimento da atividade contábil, respeitando os limites legais e institucionais”, explicou.

A iniciativa também prevê a orientação dos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs) e a construção de uma atuação técnica e responsável, baseada no diálogo com órgãos públicos e no alinhamento institucional.

Estrutura e foco em inteligência

O grupo será composto por conselheiros e fiscais de CRCs e atuará de forma coordenada, seletiva e baseada em inteligência. O objetivo é aumentar a efetividade das ações fiscalizatórias, com foco em análise de risco, integração de dados e priorização de casos de maior impacto.

Entre os principais eixos de atuação estão a identificação de indícios de irregularidades no exercício profissional; a prevenção de ilícitos financeiros e lavagem de dinheiro; a padronização de procedimentos de fiscalização; e o fortalecimento da imagem da contabilidade como pilar de transparência.

O modelo prevê a formação de forças-tarefa temporárias para análise de casos específicos, com produção de relatórios técnicos que subsidiarão a atuação dos CRCs.

Durante a fala, o presidente citou exemplos recentes que evidenciam a necessidade de atuação do Sistema. Em uma operação no Rio Grande do Sul, mais de uma centena de empresas foram abertas para viabilizar esquemas de lavagem de dinheiro. “Diante de situações como essa, precisamos entender: houve atuação de profissionais da contabilidade ou uso indevido de registros? É esse tipo de resposta que devemos buscar”, destacou.

O projeto também prevê atuação inicial em casos de grande repercussão, como operações envolvendo fraudes fiscais e financeiras com participação direta ou indireta de profissionais da contabilidade.

Alinhamento institucional

O presidente enfatizou que a implementação será gradual e baseada no diálogo com órgãos competentes. A proposta inclui reuniões com instituições como Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e COAF, com o objetivo de estruturar uma atuação alinhada às competências legais do Sistema CFC/CRCs.

Ao final, Bezerra reforçou o compromisso institucional com a integridade da profissão. “A sociedade espera isso da contabilidade, e nós vamos responder com responsabilidade e firmeza.” A criação do Grupo Estratégico de Integridade Contábil representa um avanço no fortalecimento da fiscalização e na valorização da profissão contábil, ao reafirmar seu papel essencial na promoção da transparência e no combate a práticas ilícitas.

Gustavo Sousa
CFC

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