Comunicação CFC
Fabrício Lourenço
O mercado de capitais brasileiro vive uma fase de profunda transformação, impulsionada pela adoção de padrões internacionais de contabilidade, pela integração entre informações financeiras, sustentabilidade e governança, pelo avanço da tecnologia e pela crescente complexidade dos relatórios corporativos. Esse novo contexto amplia a responsabilidade dos órgãos reguladores e reforça a necessidade de maior capacidade analítica, agilidade decisória e segurança jurídica no ambiente de negócios.
Esses temas foram analisados pelo presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, em entrevista concedida à Band, durante o programa Tarde Band News. Ao longo da conversa, o presidente destacou o papel estratégico da Contabilidade na organização da economia, na geração de informações confiáveis e na sustentação das decisões de investidores, empresas e gestores públicos.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 540 mil profissionais da contabilidade, distribuídos em mais de 5,5 mil municípios, além de aproximadamente 100 mil empresas contábeis, que atuam como empreendimentos geradores de emprego, renda e desenvolvimento econômico. Para Joaquim Bezerra, embora expressivo, esse número não traduz totalmente o impacto da profissão, considerando que o país possui mais de 23 milhões de empresas e que todas dependem, direta ou indiretamente, do trabalho contábil.
“A Contabilidade é um instrumento essencial de desenvolvimento econômico e social. É ela que assegura a confiabilidade da informação, protege a sociedade e sustenta a confiança pública necessária ao funcionamento do mercado”, afirmou.
Padrões internacionais e confiança no mercado
Durante a entrevista, o presidente do CFC ressaltou o protagonismo do Brasil na adoção de normas internacionais de contabilidade, tanto no setor privado quanto na Contabilidade Pública. A convergência normativa permite que demonstrações contábeis sejam compreendidas e comparadas globalmente, ampliando a transparência, a previsibilidade e a atratividade do país para investidores nacionais e estrangeiros.
“A possibilidade de comparar informações contábeis em diferentes países fortalece a segurança jurídica e melhora a qualidade das decisões no mercado de capitais. O investidor olha para o resultado, para o balanço, e essas informações são entregues pela Contabilidade”, explicou.

Nesse contexto, Joaquim Bezerra defendeu o fortalecimento institucional da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por meio de uma composição técnica plural, capaz de elevar a qualidade regulatória. Para ele, a melhor regulação é aquela que combina conhecimento técnico, equilíbrio e visão sistêmica. “O melhor regulador não é o que regula mais, mas o que regula melhor. Uma regulação qualificada gera ganhos para o mercado, para os investidores e para a sociedade”, destacou.
Sustentabilidade, tecnologia e julgamento profissional
Outro eixo central da entrevista foi a agenda de sustentabilidade e ESG, hoje incorporada ao debate regulatório e ao mercado de capitais em nível global. O presidente do CFC destacou que a implementação das normas de sustentabilidade requer padronização técnica, informações confiáveis e atuação qualificada dos profissionais da contabilidade, elementos essenciais para assegurar a credibilidade dos relatórios corporativos e a confiança do mercado. Ao tratar da tecnologia e da inteligência artificial, Joaquim Bezerra destacou que essas ferramentas ampliam a eficiência dos processos e a velocidade de análise de dados, mas não substituem o julgamento humano e a responsabilidade profissional.
“A tecnologia entrega dados mais rápidos, mas a confiança da informação continua sendo responsabilidade do profissional da contabilidade. O contador é o guardião do dado e da confiança que ele gera no mercado”, afirmou.

Segundo o presidente, é nesse contexto em que se insere o investimento contínuo do CFC em educação profissional, com a ampliação de programas de capacitação voltados a diferentes áreas de atuação, como Contabilidade Pública, agronegócio, micro e pequenas empresas, setor eleitoral, academia e conselhos de administração.
“Quando se investe em educação profissional continuada, investe-se em segurança jurídica, qualidade da informação e estabilidade do ambiente de negócios”, pontuou.
Reforma tributária e reposicionamento da profissão
Ao abordar a reforma tributária, Joaquim Bezerra destacou que o maior desafio não foi sua aprovação, mas sua implementação prática. Segundo ele, a transição exigirá preparo técnico, planejamento e atuação estratégica dos profissionais contábeis, especialmente em um período em que dois sistemas tributários coexistirão.
“A reforma tributária não será implementada apenas por leis ou decretos. Ela será implementada pela Contabilidade”, afirmou.
Nesse cenário, o presidente ressaltou que o profissional da contabilidade passa a ocupar um papel ainda mais estratégico, participando das decisões sobre precificação, fluxo de caixa e estratégia dos negócios. Para ele, a reforma representa uma oportunidade concreta de reposicionar a profissão como atividade essencial à gestão e ao desenvolvimento econômico do país.
Apesar dos desafios do período de transição, Joaquim Bezerra demonstrou confiança de que a reforma tributária contribuirá para maior transparência, melhoria do ambiente de negócios, atração de investimentos e fortalecimento da segurança jurídica no Brasil.
Ao final da entrevista, o presidente reforçou que a Contabilidade seguirá desempenhando papel central na economia brasileira, atuando como base técnica, ética e informacional para a construção de um mercado mais confiável, sustentável e orientado ao interesse público.
Assista à entrevista completa abaixo:
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