
A sede do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em Brasília, foi palco de um diálogo fundamental para o futuro da profissão contábil nos países de língua portuguesa. O encontro, que aconteceu na quinta-feira (12), foi marcado pelo forte sentimento de cooperação e foco na qualificação técnica. Os participantes contaram com a liderança do presidente do CFC (gestão 2022-2025), Aécio Dantas, que reforçou o compromisso da autarquia em promover a integração internacional e o desenvolvimento sustentável da classe. Aécio também é presidente da União dos Contabilistas e Auditores de Língua Portuguesa (Ucalp).
“Debatemos aqui hoje o intercâmbio de boas práticas e discutimos planos futuros que posicionem o contador como peça-chave no desenvolvimento econômico e social. Entre os temas de maior relevância, também debatemos o combate a crimes financeiros, a promoção de eventos de grande porte para o fomento da profissão e a aproximação vital entre as ordens profissionais e as instituições de ensino superior”, disse Aécio.
Durante o encontro, representantes de Portugal apresentaram avanços relacionados ao uso de ferramentas tecnológicas voltadas à análise de risco e ao apoio ao exercício profissional. A representante da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) de Portugal, Paula Franco, enfatizou a importância de ferramentas que protejam o profissional e a sociedade. "Estamos muito comprometidos em avançar com técnicas para darmos aos nossos associados. Portugal está disponível para realizar o que for possível para essa troca de informações. Estamos criando uma plataforma de análise de risco para que o próprio contador emita sua declaração com base em ferramentas da organização, gerando um relatório que ajude o profissional a atuar", explicou.
Complementando a visão técnica, o presidente da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas de Portugal (OROC), Virgílio Macedo, destacou a seriedade da fiscalização e a responsabilidade do auditor. "Uma parte significativa dos problemas que um revisor pode ter atualmente é relativa à lavagem de dinheiro. Estamos disponíveis para trocar esse tipo de experiência, inclusive de sermos fiscalizados pelo cumprimento dessas obrigações. É uma experiência útil para todos", destacou.

Conexão Global: Conferência de Auditoria no Brasil
Outro ponto debatido no encontro foi o convite para a 16ª Conferência de Contabilidade e Auditoria e a 1ª Conferência Latino-Americana, que ocorrerá em junho, no Brasil. O evento promete conectar grandes nomes de órgãos internacionais (como IESBA, IAASB, IASB e ISSB) aos profissionais lusófonos (cidadãos de países que adotaram a língua portuguesa como idioma oficial). Nesse sentido, o presidente do Ibracon, Sebastian Soares, destacou o viés estratégico do evento.
"O CFC vai conectar a nossa conferência de auditoria como o primeiro evento latino-americano. A ideia é disseminar conhecimento e fomentar a profissão. O custo de transmissão para 800 ou 3 mil pessoas é o mesmo; se queremos fomentar a colaboração, o debate estratégico não será necessariamente cobrar, mas sim focar na disseminação do saber”, ponderou Soares.
Encerrando os debates com um olhar para as novas gerações, a presidente da Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola, Cristina Silvestre, destacou a importância de estreitar laços com as universidades e defendeu uma forma de garantir o “sentimento de pertencimento” dos jovens contadores. “Proponho aqui uma maior sinergia da profissão com o ensino superior. Pretendemos avançar nesse quesito para criar esse vínculo entre as questões de ensino e as ordens profissionais de língua portuguesa para dinamizar a educação contábil na África”, resumiu.
Ao final do encontro, Aécio Dantas afirmou que o sentimento compartilhado “foi o de que a contabilidade ultrapassa fronteiras técnicas”. “Trata-se de uma ciência social aplicada que, por meio da ética e da qualificação, protege a economia global e promove a transparência entre as nações”, encerrou.
Por Rhafael Padilha
Comunicação CFC

