
Em um cenário em que ética e eficiência se consolidam como pilares indispensáveis para a gestão pública, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler, destacou, nesta terça-feira (10), o papel essencial dos profissionais da contabilidade como agentes de transformação. Com o tema “O futuro do controle e a construção de um Estado mais eficiente e íntegro”, Zymler proferiu palestra durante o Seminário de Planejamento Estratégico e Governança do Sistema CFC/CRCs, realizado em Brasília.
Logo no início da apresentação, o ministro abordou a evolução e os desafios do controle externo no Brasil, além das competências ampliadas do TCU após a Constituição de 1988. Segundo ele, a atuação técnica e comprometida da classe contábil é decisiva para fortalecer a transparência e a confiança nas instituições públicas. “Tenho uma visão como testemunha histórica da evolução desse tema. A atuação técnica e comprometida da classe contábil é, e continuará sendo, decisiva para fortalecer a transparência, o controle e a confiança nas instituições públicas”, afirmou.
Zymler explicou ainda que o TCU tem contribuído para orientar o Sistema CFC/CRCs no cumprimento de suas atribuições institucionais, especialmente na gestão e fiscalização de contratos. “A Constituição de 1988 dotou o Tribunal de competências extraordinárias. Hoje, além das funções punitivas e de correção de ilegalidades, focamos na governança, no desempenho e na análise das políticas públicas. Não se trata de uma revolução, mas de uma rota evolutiva que exige diálogo institucional entre o tribunal e os órgãos auditados”, ressaltou.
IA no controle externo
A utilização crescente de inteligência artificial pelo TCU para acompanhar a transformação digital do governo também foi destaque na palestra. “Não consigo mais viver sem o ChatGPT. O ChatTCU é um assistente virtual desenvolvido pelo próprio tribunal a partir das nossas bases de dados”, afirmou o ministro. Segundo Zymler, a automação de processos repetitivos e a análise de grandes volumes de dados com alta precisão têm papel fundamental na prevenção de fraudes e irregularidades.
Como exemplo, ele citou o uso de sistemas e robôs, como o Alice, utilizados para identificar inconsistências em processos e notificar órgãos gestores. “Apenas 1% dos débitos condenados pelo tribunal são efetivamente recuperados judicialmente. O controle repressivo posterior é intrinsecamente ineficiente. Ou atuamos preventivamente, ou o ‘leite será eternamente derramado’”, destacou.
Reconhecimento do CFC
O presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, agradeceu a realização da palestra e destacou o reconhecimento do TCU ao papel estratégico da Contabilidade para o aprimoramento da gestão pública. “As soluções para as crises financeiras e econômicas do país passam pelas nossas mãos. Tivemos hoje uma verdadeira aula do ministro Zymler, com uma exposição clara da responsabilidade que temos nesse trabalho conjunto com o TCU e com a Receita Federal do Brasil. É assim que vamos aprimorar a fiscalização e fortalecer a governança na nossa profissão”, afirmou.
Bezerra também reforçou que o Sistema CFC/CRCs continuará apoiando iniciativas que contribuam para a evolução dos mecanismos de fiscalização e para o uso de tecnologias que aprimorem os controles.
Por Rhafael Padilha
Comunicação CFC
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