A sede do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) recebeu, na manhã desta quinta-feira (12), lideranças nacionais e internacionais da profissão contábil para um diálogo estratégico sobre os avanços da convergência aos padrões internacionais de contabilidade e auditoria no Brasil. O encontro reuniu reguladores, especialistas e representantes de organismos globais para discutir desafios da harmonização normativa e o papel da contabilidade na promoção da transparência financeira.
A reunião foi conduzida pelo presidente do CFC, Joaquim Bezerra, que destacou a importância da cooperação institucional para manter o país alinhado às melhores práticas internacionais, especialmente diante das novas exigências relacionadas às normas de sustentabilidade.

“O Brasil é um país regulador por natureza. Regula o Congresso, o Judiciário, o Executivo, os reguladores de mercado e as profissões. Esse ambiente pode gerar assimetrias regulatórias. O nosso desafio, enquanto organismos contábeis, é reduzir essas assimetrias e trazer padrões internacionais que garantam comparabilidade dentro e fora do país. É a partir desses desafios que geramos valor e atratividade para a profissão”, afirmou.
Um dos pontos centrais da reunião foi o pioneirismo brasileiro na adoção das normas internacionais de sustentabilidade do ISSB (International Sustainability Standards Board). O debate evidenciou que a contabilidade moderna deixou de ser estritamente financeira para abraçar o compromisso com o ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). O processo de convergência foi descrito como um esforço conjunto entre o CFC, o Ibracon e o CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis). “Esse ‘tripé regulatório’ garante que as normas sejam traduzidas, adaptadas à realidade local e disseminadas com rigor técnico, assegurando que o Brasil continue sendo um destino atrativo para investimentos internacionais”, argumentou Joaquim.
Durante o debate, oradores de renome compartilharam visões sobre o atual momento da profissão. O coordenador técnico do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), Eduardo Flores, enfatizou que a adoção das normas é um processo contínuo de aprendizado, destacando a nova responsabilidade do contador perante os relatórios de sustentabilidade. “Não vamos transformar contadores em ambientalistas, pois eles são os responsáveis pelo relatório empresarial. Mas precisamos introduzir no 'menu da contabilidade' um conhecimento técnico que permita praticar o ceticismo profissional. Se o contador vai assinar esse relatório, ele está dando fé pública a ele, e sabemos que isso cria um comprometimento muito maior."
Já o CEO da Federação Internacional de Contadores (IFAC), Lee White, trouxe uma perspectiva global, focando na atratividade da profissão e na integração tecnológica, além de elogiar a união dos grupos brasileiros. "Para o sucesso na implementação de normas, é preciso unir todos os grupos relevantes. Não tomem isso como uma garantia. Em muitas jurisdições, isso simplesmente não acontece. Sobre o futuro, nosso foco é garantir que a profissão e o avanço da IA caminhem juntos de forma ética. Se não estivermos próximos da tecnologia, nossa profissão parecerá datada."
Diálogo institucional, gastos públicos e justiça social
Durante sua participação, Joaquim Bezerra também defendeu o diálogo para que os interesses das instituições e reguladores estejam sempre convergidos. "O amadurecimento está em conciliar interesses para entregar a verdadeira missão da contabilidade: o estabelecimento da confiança pública”. Em seguida, ele citou o gasto público como outro grande desafio do Brasil. “Precisamos saber se ele é efetivo ou não. A NBCT 34 (custos no setor público) pode dar um exemplo ao mundo em comparabilidade, revelando quanto custa, de fato, um aluno em sala de aula ou um atendimento hospitalar."
Para Bezerra, a contabilidade de custos é a parte da justiça social do imposto que “tanto reclamamos de pagar”. “O Brasil pode oferecer ao mundo um novo referencial de transparência para que o cidadão saiba exatamente como o seu dinheiro é aplicado. Somos protagonistas em áreas como sustentabilidade e contabilidade pública, e as normas contábeis aplicadas aos setores público e privado devem ser a grande garantia de segurança para investimentos no país", concluiu.

Um convite à capacitação
Ao final do encontro, os participantes receberam um chamado do presidente do CFC à ação para os profissionais da área. “A convergência não é apenas uma obrigação normativa, mas uma oportunidade de ouro para que o contador atue como um consultor estratégico e guardião da transparência. O CFC e as entidades parceiras reforçaram o compromisso em oferecer a infraestrutura educacional necessária para que essa transição seja um marco de valorização para todos os contadores brasileiros”, encerrou.
Por Rhafael Padilha
Comunicação CFC
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