Importância dos contadores na construção dos relatórios de sustentabilidade é debatida em Brazil PAO Summit

A relevância da atuação dos profissionais da contabilidade na elaboração e na confiabilidade dos relatórios de sustentabilidade esteve em debate nesta quarta-feira (11), durante o Brazil PAO Summit 2026, realizado em Brasília (DF). A conferência integra a programação internacional do Seminário de Planejamento Estratégico e Governança do Sistema Conselho Federal de Contabilidade (CFC)/CRCs e reúne mais de 1.200 participantes, entre profissionais brasileiros e representantes de 15 países.

O tema foi discutido pelo coordenador técnico do Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), Eduardo Flores, e pelo coordenador de Relações Internacionais do CBPS, Leandro Ardito. A mediação do painel ficou a cargo do ex-presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) no período de 2018 a 2021 e coordenador operacional do CBPS, Zulmir Breda.

Ao abrir o debate, Breda destacou a relevância do tema no cenário econômico atual e afirmou que a sustentabilidade e os relatórios relacionados ao tema estão entre os assuntos mais importantes para o futuro das organizações e dos mercados. A condução do painel ocorreu em formato de perguntas e respostas.

Durante a conversa, Breda abordou as normas de sustentabilidade atualmente em processo de adoção no Brasil, CBPS 01 (IFRS S1) e CBPS 02 (IFRS S2), e ressaltou que esses normativos tratam de relatórios de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. “É importante que esses relatórios sejam reconhecidos como relatórios de informações financeiras”, afirmou.

Base global para informações de sustentabilidade

Ao comentar o tema, Eduardo Flores apresentou um panorama sobre o surgimento das normas internacionais de sustentabilidade e explicou os motivos que levaram à criação de padrões globais para divulgação dessas informações.

Segundo ele, a existência de múltiplos referenciais pode comprometer a comparabilidade e a qualidade dos dados apresentados ao mercado. “A existência de múltiplos padrões cria uma possibilidade de arbitragem informacional. Nem sempre se escolhe o padrão tecnicamente mais adequado, mas aquele que pode ser mais conveniente”, avaliou.

Flores destacou que o mercado demanda cada vez mais informações relacionadas às práticas de sustentabilidade e defendeu que esses relatórios devem dialogar com os relatórios financeiros tradicionais. De acordo com o acadêmico, a racionalidade econômica permanece central nas decisões de investimento, o que exige integração entre dados financeiros e informações sobre sustentabilidade.

O especialista também explicou, de forma geral, a abordagem adotada pelos normativos CBPS 01 e CBPS 02 no processo de padronização dessas informações.

Adoção das normas no Brasil

Na sequência, Breda questionou Leandro Ardito sobre os fatores que levaram o Brasil a adotar essas normas e qual tem sido o papel do CBPS nesse processo.

Ardito explicou que a criação dos padrões internacionais busca assegurar a produção de informações úteis e de qualidade para a tomada de decisão por parte de investidores e demais usuários. Segundo ele, além de relevantes, essas informações precisam ser confiáveis e auditáveis, o que reforça a importância da existência de um padrão global.

O especialista destacou ainda que o Brasil possui tradição na adoção de normas internacionais e afirmou que o CBPS foi criado para assegurar que os pronunciamentos de sustentabilidade convergidos sejam apresentados de forma clara e tecnicamente consistente, a partir de análises detalhadas dos textos e da avaliação da necessidade de adaptações ao contexto nacional.

Ao longo do painel, também foram discutidos temas como mensuração de impactos financeiros nos relatórios de sustentabilidade, capacitação profissional e confiabilidade das informações. Para os especialistas, a participação ativa dos profissionais da contabilidade nesse processo é fundamental para garantir qualidade, transparência e credibilidade às informações apresentadas ao mercado.

Por Lorena Molter
Comunicação CFC

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