CFC estrutura novo ciclo de governança e apresenta políticas que reposicionam a Contabilidade no centro das decisões do país

Por Fabrício Lourenço, Gabriella Avila e Rhafael Padilha
Comunicação CFC

Na tarde da primeira Reunião de Presidentes e Diretores do Sistema CFC/CRCs de 2026, realizada na quarta-feira (28/01), em Brasília (DF), o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) deu um passo decisivo para reorganizar, integrar e qualificar a atuação institucional da Contabilidade brasileira. O encontro marcou a apresentação e a consolidação do conjunto de políticas institucionais que orientarão o Sistema nos próximos anos, com foco em governança, eficiência, fiscalização, controle interno, inovação, desenvolvimento profissional, regulação técnica e valorização da profissão.

Ao abrir o bloco de apresentações, o presidente do CFC, Joaquim Bezerra, contextualizou o processo de construção das políticas e destacou que a nova estrutura foi desenhada para enfrentar três desafios históricos do Sistema: a dispersão estratégica, a dificuldade de rastrear políticas e projetos ao longo do tempo e a limitação na mensuração dos impactos reais das ações institucionais.

Segundo ele, o novo modelo organiza a atuação do Sistema CFC/CRCs em eixos claros, integrados e mensuráveis. “Não estamos falando de projetos soltos ou ações isoladas. São políticas estruturantes, com propósito, metas e responsabilidade institucional. É assim que se constrói credibilidade”, afirmou.



Formação institucional e governança como base
A Escola de Governança e Gestão dos Conselhos de Contabilidade (EGC) foi apresentada pela diretora Marisa Luciana como um órgão executivo estratégico, vinculado diretamente à Presidência do CFC e com atuação transversal em todas as vice-presidências. Voltada à formação e ao desenvolvimento institucional, a Escola atende cerca de três mil pessoas, entre empregados, conselheiros, estagiários e aprendizes.

Em ciclos anteriores, mais de 1,6 mil participantes foram impactados, com a oferta de 336 horas de capacitação. Entre as diretrizes da EGC estão a equalização das demandas entre CFC e CRCs, o aperfeiçoamento do plano anual de treinamento e a estratificação das necessidades dos diferentes públicos. Durante o mês de fevereiro, a Escola receberá sugestões de temas para novas capacitações.
Ouvidoria ativa e fortalecimento do controle social

A política da Ouvidoria foi apresentada pela contadora e ouvidora Dorgivânia Arraes, que reforçou o papel do setor como instrumento de controle social e de fortalecimento da cultura do diálogo. Guiada pelo lema “Escutar com respeito, agir com justiça e servir”, a proposta busca consolidar a Ouvidoria como um canal ativo, transparente e confiável. “Queremos uma Ouvidoria que dialogue, gere confiança e seja referência entre os conselhos profissionais”, destacou.

Gestão administrativa com foco em pessoas e eficiência
A Vice-Presidência Administrativa apresentou a política de gestão eficiente e desenvolvimento humano, estruturada a partir do lema “Desburocratizar, cuidar das pessoas e promover maturidade institucional”. A proposta, apresentada pelo vice-presidente Weberth Fernandes, organiza-se em três eixos: simplificação de processos, valorização das pessoas e modernização da infraestrutura, com foco na sustentabilidade organizacional.
Três projetos estruturam a atuação da área: Eficiência em Foco, Capital Humano e Patrimônio Vivo, voltados à melhoria dos fluxos internos, à valorização dos profissionais e à preservação da memória institucional.

Controle interno orientado à gestão de riscos
A política de Controle Interno foi apresentada por Brunno Sitônio, em substituição ao vice-presidente Sebastião Célio. Com o lema “Aprimorar controles para reduzir riscos e garantir conformidade”, a proposta estabelece diretrizes para o fortalecimento contínuo dos controles internos, a mitigação de riscos institucionais e o cumprimento rigoroso das normas legais e de governança.
Os eixos se desdobram nos projetos Controle Estruturado, Auditoria Estratégica — com foco preventivo e pedagógico nos CRCs — e Eficiência Operacional, voltado à simplificação e à conformidade sistêmica.

Fiscalização moderna, orientativa e qualificada
A política da Vice-Presidência de Fiscalização foi abordada pela coordenadora de Fiscalização, Franciele, representando a vice-presidente Sandra Campos. A proposta reforça uma fiscalização moderna, inteligente e orientativa, alinhada à ética profissional, à proteção da sociedade e à qualificação permanente da atuação fiscalizatória.
Entre os destaques estão o fortalecimento da supervisão técnica, a padronização de procedimentos, a atualização contínua dos manuais de fiscalização e processuais, a ampliação da divulgação de jurisprudências e o uso de inteligência e dados para qualificar as ações. A política assegura rigor no combate às irregularidades, sem renunciar ao caráter educativo e preventivo da fiscalização.

Governança sistêmica e superação de assimetrias
A política de Governança, apresentada por Haroldo Santos, destacou o desafio de implementar padrões mínimos e práticas uniformes em todo o Sistema. “Governança é uma base estruturante. Muitas vezes invisível, mas essencial para que tudo funcione”, afirmou.
Organizada em três eixos — sustentabilidade financeira, governança sistêmica e equidade entre os Regionais —, a política busca assegurar recuperabilidade, reduzir assimetrias e garantir atuação integrada. “Não podemos atuar como ilhas. Precisamos funcionar como um Sistema único”, reforçou.

Inovação, tecnologia e decisão estratégica
A política de Inovação e Tecnologia, apresentada por Márcio Schuch, evidenciou o uso estratégico da tecnologia para ampliar a eficiência, fortalecer a segurança da informação e qualificar a governança. A proposta inclui digitalização de processos, automação, reforço da segurança cibernética e uso de dados e inteligência artificial no apoio às decisões estratégicas.
Também foi anunciada a criação de um fundo voltado à inovação, com foco na captação de recursos externos e na redução do impacto sobre as anuidades dos profissionais.

Regulação técnica e confiança pública
A Vice-Presidência Técnica, tratada por João Castilho, trouxe a política voltada à simetria regulatória como base para o fortalecimento da confiança pública. O objetivo é reforçar o papel do CFC como autoridade central na emissão de orientações técnicas qualificadas, garantindo harmonização normativa, interpretação responsável e proteção da sociedade.
Entre os projetos estão o CFC Regula e o CFC Orienta, com atenção especial às micro e pequenas empresas e às diferentes realidades econômicas.

Registro, atratividade e futuro da profissão
A política de Registro, apresentada por Ângela Mendonça, foi estruturada para enfrentar um dos desafios centrais da Contabilidade contemporânea: tornar a profissão mais atrativa, reconhecida e sustentável ao longo do tempo. A proposta organiza-se em três eixos estratégicos — captação, registro e manutenção — que orientam ações integradas desde o ingresso na carreira até a permanência e a valorização do profissional no Sistema.
Os projetos priorizam a atração de novos públicos, o fortalecimento do vínculo com instituições de ensino, a valorização da trajetória profissional e a consolidação do registro como instrumento de identidade, pertencimento e credibilidade. Ao integrar comunicação institucional, engajamento e modernização dos processos, a política busca reposicionar a imagem da profissão contábil perante a sociedade, destacando seu impacto econômico, social e institucional.

Desenvolvimento profissional e liderança do futuro
Encerrando as apresentações, o vice-presidente Laudelino Jochem detalhou a política de Desenvolvimento Profissional, com foco na formação de profissionais preparados para os desafios atuais e no estímulo à formação de lideranças para o futuro. A proposta inclui qualificação por perfil profissional, formação estratégica e integração acadêmica, conectando educação, mercado e ética profissional.


Um novo ciclo para a Contabilidade brasileira


Com a consolidação das políticas institucionais, o CFC inaugura um novo ciclo de atuação, marcado pela integração entre áreas, pela superação da fragmentação de ações e pela construção de resultados mensuráveis. Mais do que alinhamento interno, o movimento sinaliza o reposicionamento da Contabilidade como atividade essencial à governança, à confiança pública e ao desenvolvimento do Brasil.

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