Fórum de Lisboa: Contabilidade brasileira integra seleto núcleo de debates

A contabilidade brasileira marcou presença em um dos mais relevantes fóruns internacionais dedicados à discussão dos desafios contemporâneos da democracia, da economia e da governança. Nesta terça-feira (2/6), o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, participou do XIV Fórum de Lisboa, em Portugal, como painelista da mesa “Finanças Sustentáveis e Integração de Mercados”, reforçando a contribuição estratégica da profissão contábil para temas centrais da agenda global.

Realizado entre os dias 1º e 3 de junho, o Fórum de Lisboa reúne acadêmicos, gestores públicos, especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil do Brasil e da Europa para discutir o tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. Em sua 14ª edição, o evento promove debates sobre os impactos da transformação tecnológica nas estruturas políticas, econômicas e sociais e reúne algumas das principais lideranças dos setores público, privado e acadêmico.

A participação de Joaquim Bezerra em um seleto núcleo de debates do evento evidencia o reconhecimento da relevância da contabilidade para a construção de soluções relacionadas à sustentabilidade, à governança e ao desenvolvimento econômico. O painel abordou os desafios da integração dos mercados e o papel das finanças sustentáveis em um cenário de rápidas transformações regulatórias e tecnológicas.

Além do presidente do CFC, compuseram a mesa a procuradora do Banco Central e professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Natália Alves Duarte Barbosa; o Country Tax Manager da Shell Brasil, Fábio Gaspar; a diretora da Naia Capital, Bárbara Cáffaro; e os advogados Ivan Tauil, moderador do painel, e Rafael Pimenta.

Confiança como ativo econômico

Durante sua participação, Joaquim Bezerra defendeu que a confiança se tornou um dos ativos mais valiosos das economias modernas e destacou o papel da contabilidade na construção de ambientes econômicos mais seguros, transparentes e sustentáveis.

Segundo ele, as nações disputaram territórios, recursos naturais e, mais recentemente, tecnologia. No entanto, o grande ativo do século XXI é a confiança, elemento que influencia decisões de investimento, reduz custos de financiamento, fortalece instituições e aproxima mercados. “A confiança se constrói por meio da informação. Informação confiável, comparável, verificável e capaz de transformar incertezas em decisões”, afirmou.

Para o presidente do CFC, a contabilidade transcendeu a condição de linguagem dos negócios e passou a ocupar uma posição estratégica nas relações entre Estado, mercado e sociedade. “Sem informações confiáveis não existe crédito, não existe investimento e não existe desenvolvimento sustentável”, destacou.

Sustentabilidade, informação e desenvolvimento

Ao abordar a agenda da sustentabilidade, Joaquim Bezerra ressaltou que os relatórios corporativos deixaram de retratar apenas fatos passados e passaram a oferecer informações essenciais para a avaliação de riscos e oportunidades futuras.

O presidente comparou as demonstrações financeiras e os relatórios de sustentabilidade a uma ponte projetada para suportar não apenas as condições atuais, mas também os desafios que surgirão ao longo do tempo. Segundo ele, investidores, instituições financeiras e seguradoras precisam conhecer adequadamente os riscos climáticos, regulatórios, reputacionais e de governança para tomar decisões mais seguras.

Nesse contexto, defendeu a relevância dos padrões internacionais de divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade, por considerar que a transparência e a previsibilidade regulatória são fatores fundamentais para a eficiência dos mercados e para a segurança jurídica.

Joaquim também manifestou preocupação com a recente decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de alterar a obrigatoriedade relacionada à adoção dos relatórios financeiros de sustentabilidade pelas companhias abertas. Segundo ele, a previsibilidade regulatória constitui um ativo econômico importante para a atração de investimentos e para a estabilidade do ambiente de negócios. “O verdadeiro debate não é o custo de produzir informações. É o custo de não ter essas informações”, observou.

O papel da contabilidade no futuro

Ao tratar dos impactos da transformação tecnológica, o presidente do CFC destacou que avanços como inteligência artificial e análise massiva de dados aumentam a necessidade de informações confiáveis e de qualidade. “Quanto maior a tecnologia, maior a necessidade da qualidade da informação e da confiança pública. É nesse ponto que a contabilidade se apresenta não apenas como produtora de informações, mas como guardiã da integridade dessas informações”, destacou.

Na avaliação de Joaquim Bezerra, a contabilidade ocupa posição central na construção de mercados mais transparentes e sustentáveis, ao transformar dados em confiança e fornecer suporte para decisões que impactam o futuro das organizações e da sociedade.

Ao encerrar sua participação, o presidente reforçou que a missão contemporânea da contabilidade consiste em conectar sustentabilidade, segurança jurídica e desenvolvimento econômico. “A contabilidade transforma dados em confiança”, concluiu.

Contabilidade no centro das discussões globais

A presença do CFC no Fórum de Lisboa reforça o papel da profissão contábil na produção de informações que sustentam decisões econômicas, regulatórias e empresariais. Em um ambiente cada vez mais orientado por critérios de transparência, sustentabilidade e responsabilidade corporativa, a atuação dos profissionais da contabilidade se consolida como elemento essencial para a confiança dos mercados e para o fortalecimento das instituições.

A participação do presidente do CFC também amplia a inserção da classe contábil em espaços estratégicos de formulação e debate de políticas públicas e aproxima a profissão das discussões que influenciam o ambiente econômico e regulatório em escala global.

Gustavo Sousa
Comunicação CFC

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