A busca por informações confiáveis, controles mais eficientes e práticas contábeis alinhadas entre os conselhos de fiscalização profissional marcou a abertura, nesta terça-feira (29), do Seminário de Contabilidade, Auditoria e Controle para Conselhos de Fiscalização Profissional. Promovido pela Escola de Governança e Gestão dos Conselhos de Contabilidade (EGC), do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o encontro reúne profissionais para dois dias de capacitação e troca de experiências sobre desafios presentes na rotina dessas entidades.
Realizado em formato híbrido, no auditório do CFC, em Brasília, e com transmissão on-line, o seminário segue até quarta-feira (30). A programação soma 16 horas e aborda governança, gestão de riscos, auditoria, controles internos, normas contábeis e tecnologia, com foco nas especificidades dos conselhos de fiscalização profissional.
Na abertura, o presidente do CFC e coordenador do Fórum dos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas, contador Joaquim Bezerra, destacou o papel estratégico da Contabilidade para fortalecer a gestão, a transparência e a confiança nas informações produzidas pelas instituições.
“Independentemente do desafio, seja no campo da sustentabilidade, do controle, da transparência, da tecnologia ou da tributação, há algo que permeia de forma transversal, que é a confiança pública, a confiança da informação”, afirmou.
Bezerra ressaltou ainda que os profissionais da contabilidade trabalham em um cenário de mudanças que exige atualização permanente e segurança técnica. Segundo o presidente, o CFC tem atuado para preparar a classe para os desafios atuais e ampliar o diálogo institucional em temas que afetam diretamente o exercício profissional.
Padronização para reduzir assimetrias
Um dos pontos centrais da abertura foi a defesa de maior convergência das práticas contábeis adotadas pelos diferentes conselhos profissionais. Joaquim Bezerra propôs que a troca de experiências proporcionada pelo seminário contribua para reduzir assimetrias e aproximar procedimentos entre as instituições.
“O meu desejo é que durante esta programação vocês possam trocar experiências, trazer modelos aplicados nos vossos conselhos e que a gente possa sair daqui em sintonia de que, talvez, em vez de o Conselho Federal de Contabilidade ter o seu manual de contabilidade ou o Conselho de Fonoaudiologia ter o seu manual de práticas, possamos sair unidos em uma corrente para termos um manual único para os conselhos de profissão regulamentada”, declarou.
Para o presidente, a convergência deve ter como referência padrões contábeis comuns. “Vamos reduzir as assimetrias, pois não há mais de uma contabilidade; a contabilidade é única, e os padrões são únicos e universais”, reforçou.
Bezerra também apontou a implementação das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público como uma oportunidade para o avanço da gestão dos conselhos. Entre as possibilidades citadas, está a adoção das normas de custos para mensurar atividades como fiscalização, capacitação, registro e governança e ampliar a comparabilidade entre as entidades.
Controle como instrumento de prevenção e gestão
A coordenadora-adjunta do Fórum dos Conselhos Federais de Profissões Regulamentadas e presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia, Sílvia Tavares, destacou que governança, responsabilidade, transparência e confiança devem orientar a atuação das entidades de fiscalização profissional.
Segundo ela, a função pública exercida pelos conselhos exige mais do que conformidade normativa, “mas uma verdadeira cultura de integridade e responsabilidade de gestão”.
Sílvia também ressaltou o papel preventivo dos mecanismos de controle. “O controle não deve ser compreendido apenas como um instrumento para identificar erros. Um bom sistema de controle também orienta, previne, protege e ajuda a tomar decisões melhores”, disse.
Para a coordenadora-adjunta, encontros dessa natureza permitem compartilhar experiências, aproximar entendimentos e transformar conhecimento técnico em práticas de gestão. Ela também chamou atenção para a crescente demanda da sociedade por instituições capazes de demonstrar não apenas os recursos utilizados, mas a finalidade das despesas e os resultados entregues.
A programação do seminário traduz esse propósito em conteúdos técnicos e práticos. O primeiro dia contempla governança, normas, gestão de riscos e princípios de controle aplicados à Contabilidade. No segundo, os participantes aprofundam temas como riscos nos processos contábeis, auditoria interna e externa, desenho de controles, sistemas integrados, automação e análise de dados.
Gustavo Sousa
Comunicação CFC
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