Na abertura do 15º Congresso Internacional de Contabilidade, Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público, em Belo Horizonte, Joaquim Bezerra defendeu o uso de informações contábeis confiáveis para orientar decisões e avaliar políticas públicas.

O presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, afirmou nesta segunda-feira (3) que o principal desafio das contas públicas brasileiras está na qualidade das decisões. “O debate brasileiro oscila entre arrecadar mais ou gastar menos. Mas acredito que o verdadeiro desafio seja outro. O desafio do Brasil é decidir melhor”, disse, na abertura do 15º Congresso Internacional de Contabilidade, Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público, que reúne em Belo Horizonte (MG), até quarta-feira (5), gestores públicos, pesquisadores e profissionais da contabilidade.
Para Joaquim Bezerra, informações contábeis confiáveis permitem ao poder público conhecer os custos de suas escolhas, acompanhar a aplicação dos recursos e avaliar os resultados entregues à população. Nesse processo, afirmou, a Contabilidade atua como “linguagem da confiança”, pois “reduz incertezas, mensura custos, fortalece a transparência, apoia a governança e permite avaliar políticas públicas não apenas pelo quanto custaram, mas pelo valor que entregam à sociedade”.
O presidente citou as experiências da Nova Zelândia, da Austrália e da Estônia para observar que a modernização da gestão pública nesses países foi acompanhada pelo fortalecimento das instituições e pelo investimento em bases de dados confiáveis. “O Brasil não precisa copiar esses países. Precisa aprender a lição comum entre eles: todos fortaleceram suas instituições, investiram em informação de qualidade e compreenderam que a Contabilidade é um ativo estratégico do Estado”, argumentou.
Ao recorrer à reflexão de Rui Barbosa, segundo a qual a justiça tardia se converte em injustiça, Joaquim Bezerra estabeleceu um paralelo com a tempestividade da informação contábil. Segundo ele, dados disponibilizados fora do tempo necessário perdem utilidade para a tomada de decisões. Dirigindo-se aos profissionais da contabilidade, acrescentou: “Aqui cabe a nós fazer justiça com o que temos em nossas mãos para proteger o Brasil: a informação de qualidade”.
Joaquim Bezerra falou ainda sobre inteligência artificial, tema de um dos painéis da programação. “A inteligência artificial potencializa as decisões, sem dúvida. Mas somente quando é alimentada por informações de qualidade, porque, se os dados forem frágeis, os resultados também serão”, destacou.
Ao encerrar a fala, o presidente lembrou o compromisso assumido pela nova gestão do CFC de “reposicionar a nossa profissão e buscar o reconhecimento global das práticas contábeis adotadas no Brasil”. Entre as iniciativas em curso, mencionou o processo de convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público às normas internacionais, as IPSAS, o Programa de Educação Profissional Continuada para Contadores Públicos e o Cadastro Nacional de Contadores Públicos. “Essas iniciativas demonstram que o CFC não trabalha apenas pelo fortalecimento da profissão contábil. Trabalha pelo fortalecimento das instituições brasileiras, da governança pública e da confiança da sociedade”, concluiu.
Homenagem a Nelson Machado
Ainda no primeiro dia do evento, o Sistema CFC/CRCs prestou homenagem ao contador Nelson Machado, consultor e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). A placa, entregue pelo presidente do CFC, reconhece sua trajetória, “marcada pela ética, responsabilidade e compromisso com o fortalecimento das instituições contábeis brasileiras”, além de sua contribuição para a valorização da profissão e para a consolidação da Contabilidade como pilar da transparência e da governança pública e privada.
Doutor em Contabilidade e Controladoria pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Nelson Machado também dirige o Centro de Cidadania Fiscal e foi ministro da Previdência Social e secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Nesta terça-feira (4), ele abre o segundo dia do congresso com painel sobre governança fiscal e diretivas para a reforma orçamentária.
A programação do evento conta com 18 painéis e seis oficinas, em formato híbrido, sobre temas como transparência e controle social, governança fiscal, reforma orçamentária e revisão da Lei nº 4.320/1964, Reforma Tributária, integridade dos relatórios fiscais, emendas parlamentares, controle patrimonial, inteligência artificial e geração de valor público.
Promovido desde 2010 pelo Instituto Social Iris, o Congresso CQ e seus seminários regionais já passaram por 15 estados e reuniram mais de 26 mil participantes. O CFC apoia historicamente a iniciativa, que aproxima representantes do poder público, da academia, da profissão contábil e da sociedade em torno da qualidade da gestão e do gasto público.
Por Ana Paula Leitão
Comunicação CFC
A reprodução deste material é permitida desde que a fonte seja citada.


