A contabilidade reafirmou seu papel estratégico para o desenvolvimento econômico, a segurança jurídica e a governança global durante o encerramento do Summit Inovação e Desenvolvimento Socioeconômico, realizado em Lisboa. O principal resultado do encontro foi a divulgação da Carta de Lisboa, manifesto que posiciona a profissão como elemento essencial para o funcionamento das economias contemporâneas.
Idealizado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Summit reuniu autoridades públicas, especialistas internacionais, líderes empresariais e representantes da academia para debater temas que impactam diretamente a atuação dos profissionais da contabilidade.
A primeira edição do evento foi promovida pela Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC), pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), pela Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon) e pela FGV Conhecimento, com o apoio da União dos Contabilistas e Auditores de Língua Portuguesa (UCALP).
Realizado nos dias 30 e 31 de março, no Iscte, em Lisboa, o encontro teve como foco os principais desafios e oportunidades que moldam a economia contemporânea, especialmente aqueles diretamente influenciados pelas áreas contábil e de auditoria.
Contabilidade no centro das decisões
A Carta de Lisboa consolida uma mudança de posicionamento da profissão ao reconhecer que a contabilidade deixou de ser apenas um instrumento de registro para assumir função estratégica na tomada de decisões econômicas.
O documento destaca que a informação contábil é a linguagem universal dos negócios e um dos principais vetores de transparência, sendo essencial para avaliar investimentos, orientar políticas públicas e reduzir riscos em ambientes cada vez mais complexos.
Ao longo do Summit, foram discutidos temas como economia de dados, infraestrutura, energia, saneamento, transportes e reforma tributária — áreas em que a contabilidade exerce papel direto na mensuração de resultados e na geração de confiança para investidores e gestores públicos.
A transformação digital e o avanço da inteligência artificial também estiveram no centro dos debates. A Carta aponta que a contabilidade deve liderar a construção de modelos de governança digital, com foco na integridade, auditabilidade e segurança das informações.
No campo da sustentabilidade, o documento reforça a necessidade de integração das práticas ESG à contabilidade, incluindo a mensuração de ativos ambientais, a precificação de carbono e a gestão de riscos climáticos.
Esses elementos foram amplamente discutidos no evento, que também abordou normas contábeis de sustentabilidade e o papel da profissão na viabilização da transição para uma economia de baixo carbono.
Apoio à formulação de políticas públicas
Outro ponto central do manifesto é a atuação dos profissionais da contabilidade como agentes estratégicos na formulação de políticas públicas.
A Carta de Lisboa defende a participação ativa da classe contábil na construção de sistemas tributários mais simples, justos e eficientes, além do aprimoramento de modelos de Estado orientados por dados e evidências.
Ao destacar a crescente interdependência entre mercados e a complexidade dos fluxos econômicos, o documento posiciona a contabilidade como elemento-chave para o equilíbrio da economia global.
A Carta também reforça a importância da convergência internacional de normas e da cooperação entre países, com destaque para a articulação entre nações de língua portuguesa, como Brasil e Portugal, na construção de padrões de excelência.
No encerramento, o manifesto sintetiza o papel da contabilidade como base da confiança nas relações econômicas.
“Onde há desenvolvimento, há contabilidade”, destaca o documento ao reforçar que a profissão é responsável por garantir previsibilidade, reduzir assimetrias informacionais e viabilizar investimentos.
Ao consolidar esse entendimento, a Carta de Lisboa posiciona a contabilidade como um ativo estratégico das nações e como a infraestrutura invisível que sustenta o crescimento econômico sustentável e a estabilidade institucional.
Clique aqui e leia a íntegra da Carta de Lisboa
Gustavo Sousa
CFC
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