“A qualidade da informação é o que faz a qualidade da gestão”, declarou o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, nesta quinta (19/03,) durante a 87ª Reunião do Grupo de Gestores das Finanças Estaduais (Gefin). O evento acontece entre os dias 18 e 20 de março, em Teresina (PI), e reúne representantes das Secretarias de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal, além de gestores públicos, contadores-gerais, especialistas e instituições nacionais e internacionais, para discutir temas estratégicos relacionados à gestão fiscal e financeira dos entes federativos.
O Gefin é um órgão vinculado ao Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) e atua no acompanhamento de questões fiscais e financeiras de alcance nacional, com impacto direto nas contas públicas estaduais. O colegiado também funciona como fórum permanente de cooperação técnica entre os estados, promovendo o intercâmbio de experiências e a construção de soluções conjuntas para desafios da gestão fiscal.
O CFC integrou a programação oficial do evento com a apresentação “Oportunidades de Trabalho Conjunto”, proposta pelo conselheiro federal Luiz Barreto e conduzida pelo presidente da autarquia, Joaquim Bezerra. O painel tratou do fortalecimento da gestão fiscal e da cooperação entre os entes federativos.
Em sua fala, o presidente do CFC destacou a importância da contabilidade para o equilíbrio fiscal e a tomada de decisões na gestão pública. “Nós não temos como defender esse equilíbrio fiscal sem trazer a contabilidade para o centro dessas discussões”, afirmou. “Sem informação confiável, o gestor perde a visão. E, sem visão, a decisão é ruim. E, naturalmente, sem uma boa decisão, quem vai sempre pagar a conta é a sociedade”.
Joaquim Bezerra também ressaltou a necessidade de aprimorar a comparabilidade das informações públicas, de reduzir assimetrias regulatórias e de mensurar custos na administração pública: “O Brasil precisa responder quanto custa cada serviço público. Quanto custa o aluno em sala de aula. Quanto custa uma consulta médica. Quanto custa a coleta de lixo. Nós precisamos entregar essa informação”.
A programação da reunião do Gefin inclui ainda apresentações de organismos internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial, além de debates sobre desempenho fiscal dos estados, condições de financiamento, operações de crédito e inovação na gestão pública. As discussões também abordam temas como os impactos da reforma tributária nas tesourarias estaduais, padronização contábil, gestão da dívida pública e sustentabilidade fiscal.
Reconhecimento e gestão fiscal
Em sua fala, na abertura da reunião, o governador do Piauí, Rafael Fonteles observou a importância do trabalho técnico desenvolvido no âmbito do Gefin: “Esse trabalho do equilíbrio das contas públicas e da responsabilidade fiscal, na verdade, é o trabalho mais importante para garantir as políticas públicas na saúde, na educação, na segurança e na infraestrutura, que é o que a população percebe mais, a atividade finalística”.
Fonteles enfatizou também o papel da contabilidade no funcionamento da administração pública e destacou a presença do presidente do CFC no encontro. “Muitos aqui são contadores, são profissionais da contabilidade. E certamente o Joaquim vai ajudar muito nessa relação institucional entre órgãos públicos e privados”, acrescentou. O governador destacou ainda a repercussão da posse do presidente do CFC, reconhecendo a mobilização do setor contábil.
A presidente do Gefin, Célia Carvalho, corroborou a contribuição da contabilidade no aprimoramento da gestão pública e a necessidade de cooperação entre instituições. “Com o CFC junto conosco, a gente amplia a capacidade de melhorar os nossos processos e os nossos sistemas”.
Ao final, a reunião deverá consolidar encaminhamentos a serem submetidos ao Comsefaz, reunindo as contribuições debatidas ao longo dos três dias de programação. A participação do CFC no encontro contribui para aproximar a contabilidade das agendas estratégicas da gestão pública e para fortalecer a integração institucional em torno de soluções voltadas à eficiência, à transparência e à sustentabilidade fiscal.
Ana Paula Leitão
CFC
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