Por Lorena Molter
Comunicação CFC
O presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, esteve em reunião institucional com o diretor de Apoio ao Empreendedorismo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Alison Ramon. O encontro, realizado no dia 7 de janeiro, teve por objetivo avaliar o termo de cooperação técnica em favor do Programa Acredita no Primeiro Passo e as oportunidades de atuação da classe contábil na iniciativa. As tratativas complementam as propostas discutidas com o ministro do MDS, Wellington Dias, no dia 8 de janeiro, quando a autarquia e o ministério debateram a pauta.
Inclusão, empreendedorismo e desenvolvimento econômico são palavras que caracterizam o Programa Acredita. Criado pelo governo federal, é voltado para famílias de baixa renda que estão cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Entre as suas frentes de atuação, estão o oferecimento de cursos profissionalizantes, apoio para os indivíduos que buscam emprego e oportunidades para aqueles que querem abrir o seu próprio negócio.
O CFC vai atuar no suporte e na orientação técnica para quem optar pelo caminho do empreendedorismo. A ação será conduzida por meio do Programa CFC Voluntário, que está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, a partir dos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs). A proposta é utilizar o conhecimento especializado e a experiência da classe contábil para apoiar o público-alvo do programa e colaborar para que tenham sucesso e sustentabilidade em seus empreendimentos. A cooperação técnica também prevê a busca de contadores, técnicos em contabilidade e estudantes de Ciências Contábeis que sejam assistidos pelo Programa. Em seguida, a proposta é colaborar para o acesso ao emprego e a promoção da empregabilidade. A parceria entre o MDS e o CFC foi assinada pelo ministro Wellington Dias em 2025, na sede da autarquia, em Brasília/DF.
Essencialidade
No encontro, Joaquim Bezerra ressaltou a essencialidade dos profissionais da contabilidade na prestação de consultoria aos empresários brasileiros. “Na hora da constituição dos negócios, o contador tem que estar junto do empreendedor”, afirmou. O líder do CFC ainda destacou que o público contemplado vem do programa social, o que reforça o impacto social da atuação do CFC e da classe contábil no desenvolvimento socioeconômico. “Esse empreendedor está saindo de um programa social, no processo de transição. Durante um período, ele continua recebendo a bolsa, até que o seu negócio esteja fomentado e ele tenha a liberdade de empreender e deixar o programa social. Em seguida, ele consegue inverter o jogo e gerar emprego e renda”, contextualizou.
Bezerra explicou que, nesse processo, o interessado precisa apresentar um projeto para que a União avalie e possa oferecer subsídios por meio do financiamento do negócio. Essa ajuda pode variar de cerca de 5 mil a 1 milhão de reais. A proposta do CFC é que os contadores deem o suporte na estruturação do negócio e na construção do plano de negócios. “O que nós estamos defendendo é que o profissional da contabilidade possa se juntar a esse programa para elaborar os planos de negócios que serão avaliados pelo governo para o financiamento, por meio do CFC Voluntário”, disse.
Após a obtenção dos recursos, o plano é que a classe apoie o público assistido em uma segunda etapa. “Nós queremos que os nossos contadores voluntários também acreditem no Programa, para que possam, de forma voluntária, acompanhar por seis meses a evolução desse empreendedor enquanto ele sai do programa. Porque, depois dessa etapa, esse indivíduo estará mais consolidado, vai gerar renda e ter condições, inclusive, de pagar o próprio contador para que este profissional possa dar sequência na atuação dessa nova empresa”, afirmou o presidente.
Alison Ramon ressaltou que os profissionais da contabilidade possuem conhecimentos que colaboram para o sucesso do Programa. “Os contadores, por meio dessa parceria, vão poder acompanhar as pessoas que hoje estão no Cadastro Único e que vão empreender. Hoje nós temos mais de 20 milhões de famílias no Bolsa Família e que empreendem. Os contadores, com toda a sua expertise, experiência e sapiência nessa área, vão ajudar e acompanhar essas pessoas, montando o plano de negócios e fornecendo consultoria”, contou. O diretor do MDS pontuou que parte desse público nunca foi ao banco e outras ainda não possuem CNPJ. Nesse cenário, segundo Ramon, a classe trará grande impacto positivo ao auxiliar os assistidos pelo Programa nos processos burocráticos.
Postura estratégica
O diretor do MDS também lembrou que a classe contábil possui conhecimentos estratégicos sobre as cidades de atuação dos empreendedores do Programa, que podem fazer a diferença nesses negócios. “Já conhecem o local, a realidade local desses empreendedores”, pontuou. Alison Ramon destacou ainda que os profissionais vão poder fornecer orientações voltadas para a gestão das empresas. “O conhecimento deles pode ajudar essas pessoas que, às vezes, confundem o patrimônio da empresa com o pessoal. O contador vai dar essa explicação, mostrar para ele quais são as métricas do negócio, que é uma informação importante e que eles não sabem na ponta”, concluiu.
O presidente do CFC ressaltou que a consultoria prestada pela classe contábil ocorrerá em um momento importante de transição econômica no Brasil, a Reforma Tributária. “O papel do contador nesse processo já vai ser instruir essas pessoas que estão saindo da informalidade e vindo para a formalidade, numa primeira etapa como MEI [Microempreendedor Individual] e, em um segundo momento, como microempresário, já iniciarem as suas atividades com a consciência do novo Sistema Tributário”, lembrou.
De acordo com o Bezerra, o novo Sistema Tributário muda a concepção mercadológica quando passa a ter o imposto destacado, sobretudo na Reforma Tributária do Consumo em que o imposto foi destacado e a precificação do produto passa a ser uma estratégia de mercado. “Quem vai ajudar nessa estratégia de mercado é o profissional da contabilidade, que conhece os sistemas tributário, contábil e mercadológico. Ele vai trazer todo esse conhecimento e vai poder contribuir na formatação do preço, no acompanhamento do fluxo de caixa e, por certo, garantir melhores margens para que este empresário tenha melhores resultados e possa então atestar que empreendendo ele trará uma contribuição social, econômica para o país”, finalizou.
A expectativa do CFC é que a relação dos profissionais da contabilidade com os empreendedores participantes não se restrinja ao período em que o empresário estiver vinculado ao programa. O CFC acredita que esses negócios vão crescer de forma consistente e se tornarão clientes dos voluntários que os acompanharam no início de suas atividades.
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