O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) homenageou, nesta quinta-feira (8), o contador e professor Paulo Henrique Feijó da Silva, em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento da contabilidade pública brasileira. A homenagem ocorreu durante a reunião plenária da autarquia e integrou as comemorações dos 80 anos do CFC, que celebra a trajetória de personalidades responsáveis por importantes avanços da profissão no país.
Com mais de três décadas de atuação na área pública, Feijó é reconhecido por seu protagonismo no processo de convergência das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público (NBC TSP) aos padrões internacionais. Auditor Federal de Finanças e Controle da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon) e autor de diversas obras técnicas, também se destaca pela formação de profissionais e pela modernização da gestão contábil governamental.
Ao apresentar o homenageado, o presidente do CFC, Joaquim Bezerra, ressaltou sua importância para a construção da história da profissão. "Uma das nossas referências na contabilidade pública brasileira, o protagonista aqui das normas brasileiras de contabilidade, mas acima de tudo uma pessoa que sempre se doou muito ao nosso sistema contábil brasileiro", afirmou.
Presidente do CFC na gestão 2006-2009, Maria Clara Bugarim relembrou a parceria com Feijó durante o processo de transformação da contabilidade pública e destacou sua atuação na articulação entre o Conselho e a STN. Segundo ela, os avanços conquistados resultaram de um esforço coletivo, no qual o professor exerceu papel decisivo. "Este edifício da contabilidade pública brasileira tem na sua base efetivamente a tua contribuição, o teu nome marcado", declarou.
Parceria para avanços na contabilidade pública
Em seu discurso, Feijó agradeceu o reconhecimento e destacou o papel do CFC no fortalecimento da contabilidade pública nacional. Para ele, o apoio institucional do Conselho foi fundamental para viabilizar iniciativas de capacitação, elaboração de manuais técnicos e disseminação de novos padrões contábeis.
O homenageado também ressaltou a importância da parceria com Maria Clara Bugarim, especialmente na mobilização da estrutura do Conselho para concretizar projetos que contribuíram para a evolução da profissão.
A experiência brasileira, segundo Feijó, tornou-se referência internacional. Ao relatar sua participação em missões técnicas do Fundo Monetário Internacional (FMI), ele destacou que a existência de uma entidade representativa e organizada, como o CFC, constitui um diferencial para o sucesso das reformas contábeis. "Hoje, quando eu faço missões internacionais [...] e a gente vai espelhar a experiência do Brasil, a gente vê que em muitos países falta um CFC, faltam profissionais organizados", observou.
A homenagem também contou com manifestações dos presidentes do CFC em gestões anteriores Juarez Domingues Carneiro e José Martonio Alves Coelho, que reconheceram a dedicação de Feijó à capacitação dos profissionais e à consolidação das normas de contabilidade pública no Brasil.
Novos desafios para a profissão
Ao abordar o legado construído ao longo das últimas décadas, Joaquim Bezerra reforçou que a contabilidade deve ocupar posição estratégica nas discussões sobre equilíbrio fiscal, transparência e qualidade das políticas públicas. O presidente também destacou o compromisso do CFC com o avanço da contabilidade na administração pública e com a valorização das informações contábeis como instrumento de decisão.
Na ocasião, Feijó defendeu a criação de uma Secretaria Federal de Contabilidade Pública, proposta que, segundo ele, permitiria conferir maior autonomia e relevância institucional à área. O professor apontou o CFC como uma das entidades com legitimidade para conduzir esse debate. Joaquim Bezerra acolheu a sugestão e afirmou que o tema será incorporado à carta aberta que o Conselho pretende encaminhar aos presidenciáveis.
A solenidade reforçou o propósito das comemorações dos 80 anos do CFC: reconhecer aqueles que ajudaram a transformar a contabilidade brasileira e valorizar um legado que abre caminho para novas conquistas da profissão e para o fortalecimento da confiança pública.
Gustavo Sousa
Comunicação CFC
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