Diante de um ambiente regulatório cada vez mais complexo, manter mais de 540 mil profissionais da contabilidade atualizados é um desafio. Foi com esta afirmação que o vice-presidente Técnico do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), João Carlos Castilho, conduziu sua participação no painel “Atualidades das IFRS”, realizado na manhã desta quarta-feira (3), durante a 16ª Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente e a Conferência Latino-Americana de Auditoria e Governança.
Em formato de talk show, o painel reuniu representantes do CFC, do International Accounting Standards Board (Iasb), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Asociación Interamericana de Contabilidad (AIC) e do Ibracon.
Durante sua fala, João Carlos Castilho destacou que a disseminação do conhecimento técnico para profissionais que atuam em diferentes realidades é um dos grandes desafios da profissão. Segundo ele, embora eventos como a conferência reúnam profissionais altamente engajados, a maior parte dos contadores brasileiros está inserida em pequenas e médias empresas e escritórios de contabilidade.
“É mais fácil chegar ao profissional das grandes empresas do que ao contador que está no escritório de contabilidade ou atendendo pequenas empresas. Esse é um grande desafio para todos nós”, afirmou.
Castilho ressaltou que o Sistema CFC/CRCs tem buscado ampliar o alcance das ações de educação profissional continuada por meio da atuação integrada dos 27 Conselhos Regionais de Contabilidade e do uso cada vez maior das plataformas digitais. “O Sistema CFC/CRCs está trazendo oportunidades de capacitação para toda a classe e buscando aproximar essas mudanças de todos os profissionais”, destacou.
O vice-presidente também enfatizou a importância da atuação coordenada entre os diversos órgãos reguladores e entidades da profissão para garantir a convergência das normas internacionais no Brasil. “Nós caminhamos sempre para o mesmo caminho. Isso fortalece a profissão, fortalece a confiança e fortalece o mercado”, disse.
Avanço das normas internacionais
O debate reuniu ainda especialistas nacionais e internacionais para discutir os desafios e as perspectivas das IFRS. Durante o painel, o membro do Board do Iasb, Tadeu Cendon, apresentou um panorama dos projetos em desenvolvimento pelo organismo internacional. “Atualmente temos duas iniciativas em fase de consulta pública e aguardamos contribuições da comunidade contábil”, disse.
Entre os destaques apresentados por Cendon estavam as minutas de exposição sobre contabilidade de mitigação de riscos e sobre alterações de âmbito restrito da IFRS para Pequenas e Médias Empresas (PMEs), além da futura revisão pós-implementação da IFRS 9 relacionada à contabilidade de hedge. O especialista também abordou o andamento dos projetos de pesquisa, emissão e manutenção das normas internacionais.
Na sequência, Patrina Buchanan, também integrante do Board do Iasb, tratou dos questionamentos recebidos sobre a IFRS 18, norma que vem mobilizando empresas e profissionais em seu processo de implementação.
Segundo ela, o tema tem despertado atenção especial por seu impacto abrangente. “A IFRS 18 afeta todas as empresas que adotam as IFRS. Ela veio para dar mais transparência nas demonstrações contábeis, melhorar a comparabilidade entre companhias e oferecer informações mais claras para investidores e analistas, logo, é previsível recebermos diversos questionamentos”, destacou.
Ao longo do painel, os participantes reforçaram que o avanço das IFRS depende não apenas da evolução das normas, mas também da capacidade de preparar profissionais para compreender e aplicar as mudanças, fortalecendo a qualidade das informações contábeis e a confiança dos mercados.
Por Poliana Nunes
Comunicação CFC
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