A Contabilidade brasileira está representada no 8º Congresso dos Contabilistas Certificados

O fortalecimento da cooperação entre Brasil e Portugal e a ampliação de oportunidades para os profissionais da contabilidade estão entre os principais temas da participação do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) no 8º Congresso dos Contabilistas Certificados, em Lisboa. O CFC representa a contabilidade brasileira no encontro, que reúne profissionais e lideranças para debater o futuro da profissão diante das transformações econômicas, regulatórias e tecnológicas.

Presente no Congresso, o presidente do CFC, Joaquim Bezerra, destacou a importância da participação brasileira no evento para estreitar as relações com Portugal e avançar em iniciativas conjuntas. “Estamos participando aqui em Lisboa do 8º Congresso dos Contabilistas Certificados de Portugal, representando a contabilidade brasileira e podendo reafirmar o compromisso com Portugal em diversas ações conjuntas”, afirmou.

A agenda também reforça a atuação do CFC em favor da integração entre os profissionais dos países lusófonos. Segundo Joaquim Bezerra, a experiência brasileira pode contribuir para o desenvolvimento da profissão por meio do intercâmbio de conhecimento e de boas práticas.

“O Conselho Federal de Contabilidade se coloca à disposição dos países de língua portuguesa numa cooperação técnica para contribuir com o engrandecimento da profissão”, destacou.

Joaquim Bezerra também ressaltou que a aproximação pode criar possibilidades de atuação para a classe contábil brasileira. “Quero levar aos nossos contadores e contadoras do Brasil a oportunidade da abertura de mercado em trabalho conjunto com os países de língua portuguesa”, afirmou.

Cooperação e qualificação profissional

A participação brasileira teve continuidade nesta quarta-feira (23) com a intervenção de Aécio Dantas Júnior, presidente da União dos Contabilistas e Auditores de Língua Portuguesa (UCALP) e presidente do CFC na gestão 2022-2025. Em sua fala, ele colocou no centro do debate a confiança, a tecnologia e a preparação dos profissionais para um cenário de mudanças.

“Em quem vamos confiar para interpretar o que os dados significam para a tomada de decisões responsáveis?”, questionou. Para Aécio Dantas Júnior, a resposta passa pelo protagonismo dos profissionais da contabilidade e pela capacidade de aliar conhecimento tecnológico ao discernimento humano.

“A Inteligência Artificial amplia capacidades e a automação redefine processos. Mas quanto maior for a capacidade tecnológica, mais importante será o discernimento humano. Precisamos de profissionais que dominem a tecnologia, sem ser dominados por ela”, afirmou.

O presidente da UCALP também defendeu maior aproximação entre as organizações e os profissionais dos países lusófonos. “Os países de língua oficial portuguesa estão unidos pelo mesmo idioma, mas podemos e devemos estar ainda mais próximos através de um espírito de cooperação e aprendendo uns com os outros. A geografia separa estes profissionais, mas partilhamos muito dos desafios atuais”, destacou.

Ao concluir, Aécio Dantas Júnior reforçou que investir na preparação dos profissionais ultrapassa os interesses da própria classe. “Preparar e qualificar o contabilista certificado não é uma agenda da profissão, mas sim uma agenda de desenvolvimento.”

Abertura destaca reconhecimento e futuro da profissão

A valorização dos profissionais da contabilidade e os desafios impostos pela transformação tecnológica marcaram a abertura do 8º Congresso dos Contabilistas Certificados, na noite desta terça-feira (22), em Lisboa. O evento teve início com as intervenções da bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC), Paula Franco, e do Presidente da República de Portugal, António José Seguro, antes do jantar de gala.

Em seu discurso, o presidente português defendeu que o Estado atue como aliado dos contabilistas, com maior estabilidade na legislação fiscal, redução da burocracia, modernização de procedimentos e mais celeridade nas decisões administrativas e judiciais. Ao abordar a inteligência artificial, reforçou o papel humano no exercício profissional. “Nenhum sistema, por mais sofisticado que seja, substitui o julgamento profissional, a independência de espírito e a integridade que sempre distinguiram o contabilista certificado”, afirmou.

António José Seguro também destacou a contribuição histórica dos profissionais para o país e defendeu maior reconhecimento social da categoria. “Agora, mais do que nunca, esta profissão deve ter o merecido reconhecimento público”, declarou. Ao final, deixou uma mensagem aos participantes: “Continuem a trabalhar com exigência e sentido de missão!”.

Paula Franco definiu o Congresso como um espaço de encontro e reflexão sobre as responsabilidades da profissão e seu papel em uma sociedade em transformação. Ao tratar dos impactos da inteligência artificial, a bastonária ressaltou que a tecnologia altera o perfil profissional, mas não elimina a responsabilidade humana. “A IA já está a mudar o perfil do profissional, mas não vem para nos substituir, vem para nos ajudar a sermos melhores”, disse.

A bastonária também destacou a confiança como um dos pilares da atuação dos contabilistas e da própria regulação profissional. “A confiança não se decreta, constrói-se através de conhecimento, competência, ética e responsabilidade de cada profissional”, concluiu.


Gustavo Sousa
Comunicação CFC

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