Iasb e ISSB discutem novas normas contábeis e de sustentabilidade em seminário internacional

Teve início, na manhã desta quarta-feira (14), o XXIII Seminário Internacional FACPCS. Realizado em formato híbrido na sede do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRCSP), o evento constitui um consolidado espaço de discussões técnicas no meio contábil e debate os principais temas da Contabilidade no Brasil e no mundo.

A primeira palestra do dia abordou os projetos em andamento do International Accounting Standards Board (Iasb) e do International Sustainability Standards Board (ISSB), com destaque para mudanças nas normas contábeis internacionais e desafios relacionados à volatilidade cambial e à divulgação de informações sobre clima, natureza e biodiversidade.

Durante o encontro, Tadeu Cendón, membro brasileiro do Iasb, destacou a importância de as empresas se prepararem para as novas exigências, especialmente diante do avanço do projeto IFRS 20, que trata de atividades reguladas e tem impacto sobre setores como energia elétrica e saneamento.

“Quanto antes começarmos a lidar com essas normas, melhor”, alertou Cendón. Segundo ele, a familiarização antecipada com as mudanças é importante para que as empresas identifiquem os possíveis impactos e estejam preparadas para os questionamentos que podem surgir durante a implementação.

Outro tema discutido foi o uso de taxas de câmbio hipotéticas nas Medidas de Desempenho Definidas pela Administração (MPMA). Robbert Uhl, membro do Iasb, apresentou a controvérsia em torno da prática, que suscita preocupações entre reguladores, inclusive no Brasil, quanto à confiabilidade e à verificação dessas informações.

Para contextualizar o assunto, Uhl citou um caso ocorrido na Colômbia, em que uma forte oscilação cambial na data de encerramento do balanço teria distorcido a representação do desempenho de uma empresa. A taxa subiu de cinco para oito e, nos dias seguintes, retornou ao patamar anterior. A situação exemplifica o desafio de apresentar informações que ajudem a compreender os resultados do negócio, em conformidade com os critérios de transparência.

Ao explicar a discussão, Uhl ressaltou a demanda dos investidores por informações que reflitam a perspectiva da administração sobre os resultados. “Os investidores falaram para nós que querem ouvir da gestão qual é a visão desse desempenho”, disse.

Na área de sustentabilidade, Elisabeth Seeger, representante do ISSB, destacou a preparação de uma minuta de exposição sobre divulgações relacionadas à natureza e à biodiversidade. A iniciativa reforça a importância de considerar a relação entre os fatores ambientais e climáticos na elaboração dos relatórios de sustentabilidade.

“As atividades relacionadas à natureza e ao clima são muito importantes, e as companhias têm que considerar essa conexão”, afirmou Seeger, ao abordar o tema no contexto da aplicação da norma IFRS 20, voltada às divulgações relacionadas ao clima.

Julliene Nogueira
Comunicação CFC

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