Informação contábil confiável, padronização de procedimentos e fortalecimento dos mecanismos de controle são fatores essenciais para ampliar a transparência e a segurança da gestão dos conselhos profissionais. Esses temas marcaram a abertura do Seminário de Contabilidade, Auditoria e Controle para Conselhos de Fiscalização Profissional, realizado em formato híbrido, no auditório do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em Brasília. Promovido pela Escola de Governança e Gestão dos Conselhos de Contabilidade (EGC), em conjunto com o Fórum dos Conselhos Federais, o evento reúne representantes de mais de 30 conselhos de profissões regulamentadas.
Na abertura, o presidente do CFC e coordenador do Fórum, contador Joaquim de Alencar Bezerra Filho, destacou a importância da informação contábil confiável para a missão pública dos conselhos e defendeu a unificação das práticas contábeis. (Clique aqui e leia mais sobre a abertura do evento)
A gerente executiva do CFC e organizadora da EGC, Elys Souza, destacou a adesão ao seminário, que reúne 175 participantes presenciais e 603 on-line, totalizando 778 participantes. A programação prevê 16 horas de capacitação, com conteúdos teóricos e práticos e oportunidade de networking.
Governança e controle
Na programação técnica, o primeiro módulo abordou os fundamentos da governança corporativa e a evolução do Modelo das Três Linhas do Instituto dos Auditores Internos (IIA). O conteúdo foi apresentado por Sergio Filgueiras, auditor federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU), que destacou a importância da governança para conciliar interesses e orientar a gestão. “O objetivo da governança é alinhar esses interesses, alinhar essa atuação”, afirmou.
Filgueiras também tratou do risco da chamada “fadiga de asseguração”, causada pela sobreposição de demandas de órgãos de auditoria e fiscalização. Segundo ele, esse excesso pode criar uma “falsa impressão de uma excelente cobertura”, ao mesmo tempo que compromete a qualidade das avaliações. Como alternativa, defendeu a coordenação dos processos para garantir “a avaliação certa, no lugar certo, pelo prestador correto”.
Padronização da Contabilidade pública
Os módulos seguintes trataram das normas internacionais de contabilidade aplicadas ao setor público. O tema foi apresentado por Alex Fabiane Teixeira, auditor do Tesouro Nacional, professor da Universidade Mackenzie Brasília e representante do Brasil e da América Latina no International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB).
Durante a exposição, Teixeira destacou a evolução da Contabilidade pública no Brasil e a importância da padronização das informações. “Até então, o Brasil realizava apenas um controle orçamentário das suas contas; não existia uma avaliação patrimonial”, afirmou. Para o auditor, a adoção de padrões comuns é essencial para assegurar a qualidade e a comparabilidade das informações. “Se não houver essa padronização, nós temos um grande problema”, ressaltou.
Ao explicar a atuação do IPSASB, Teixeira apresentou a tríade “Adotar, Aplicar e Avançar” e defendeu a incorporação efetiva das normas às rotinas das instituições. “A informação útil, contabilmente falando, é aquela que auxilia o processo de tomada de decisões”, afirmou, ao reforçar a contribuição da Contabilidade para a gestão e a governança.
Segundo dia terá oficinas e atividades práticas
O segundo dia do seminário será dedicado a atividades práticas e analíticas, com painéis sobre gestão de riscos nos processos contábeis, auditoria interna e externa, desenho de controles, tecnologia e inovação. A programação contempla temas como riscos de erros, fraudes e perdas patrimoniais, controles sobre arrecadação e cobrança da dívida ativa, sistemas ERP, automação e análise de dados.
Os interessados ainda podem acompanhar o segundo dia do evento no formato on-line. A participação requer inscrição prévia, disponível nesse link.
Julliene Nogueira
Comunicação CFC
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