Ailton Lemos relatou desafios enfrentados no CRCAP e sugeriu ações de capacitação e intercâmbio de boas práticas entre os Conselhos Regionais
Os desafios da fiscalização contábil no Amapá e propostas para fortalecer a atuação dos fiscais em todo o país pautaram o encontro entre o presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, e Ailton Lemos, fiscal e responsável pelo setor de Fiscalização do Conselho Regional de Contabilidade do Amapá (CRCAP). Vencedor de um quiz realizado durante o 4º Seminário de Fiscalização do Sistema CFC/CRCs, Ailton participou, nesta quarta-feira (12), de um café da manhã na sede do CFC, em Brasília, e compartilhou experiências da atuação no estado.
Ailton atua há dois anos no CRCAP, onde ingressou por concurso público e é responsável pelo setor de Fiscalização. Durante o encontro, ele relatou aspectos da rotina no Amapá e as mudanças percebidas a partir da intensificação das ações fiscalizatórias no estado.
Segundo o fiscal, a ampliação da verificação das demonstrações contábeis causou estranhamento inicial entre alguns profissionais. “Chegaram a mandar mensagens ou ligar para o institucional perguntando se era realmente verdade, se não era golpe”, relatou.
Para Ailton, a experiência também tem contribuído para ampliar a compreensão sobre o papel fiscalizatório do Conselho. “Estamos construindo uma visão nova da fiscalização no estado”, afirmou.
Capacitação e troca de experiências
Durante o café, estimulado pelas perguntas do presidente Joaquim Bezerra sobre como o sistema CFC/CRCs poderia aprimorar a fiscalização, Ailton apresentou sugestões que incluem a ampliação da oferta de conteúdos operacionais organizados por módulos, com orientações sobre o uso de sistemas e a apuração de denúncias.
“Sinto falta de um manual de manuseio dos sistemas e da apuração de denúncias. Seria ótimo termos algo centralizado por módulos, como se fosse uma pós-graduação”, sugeriu.
Outra proposta foi ampliar, nos eventos nacionais, o espaço destinado à apresentação de experiências dos fiscais dos Conselhos Regionais. A ideia é favorecer o intercâmbio de procedimentos e soluções adotados em diferentes estados.
Presente ao encontro, a gerente executiva de Fiscalização, Ética e Disciplina do CFC, Franciele Carini, informou que a Escola de Governança do Conselho já conta com conteúdos estruturados em módulos na área de processos e que a proposta é avançar também na área de fiscalização. “Nós temos uma linha de conhecimento que colocamos tanto na parte de fiscalização quanto na parte de processos. A parte de processos nós já fizemos por módulos e disponibilizamos no site da escola. Agora, precisamos fazer a parte da fiscalização”, explicou.
Integração da fiscalização
As diferenças estruturais entre os Conselhos Regionais e a busca por maior uniformidade na fiscalização também fizeram parte da conversa. O presidente do CFC, Joaquim Bezerra, destacou a importância de oferecer condições para que os procedimentos adotados pelo Sistema tenham maior alinhamento em todo o país.
“Nós estamos aqui para promover essa igualdade entre todos. Eu quero que o fiscal do Amapá tenha a mesma condição de julgamento de um fiscal de São Paulo ou do Rio Grande do Sul, por exemplo”, afirmou. E completou: "Com toda essa energia que nós estamos gastando para uniformizar o sistema, para colocar todo mundo na mesma página, para poder reposicionar a profissão contábil, queremos que isso seja de fato incorporado por todo o nosso corpo funcional. Minha missão é poder deixar isso como um legado para ser lembrado e cultivado".
A aproximação entre as diferentes realidades regionais e o compartilhamento de experiências contribuem para identificar necessidades de capacitação e oportunidades de aperfeiçoamento dos procedimentos de fiscalização. As propostas apresentadas no encontro reforçam o debate sobre a atuação integrada dos Conselhos e o papel da fiscalização na proteção da sociedade
Julliene Nogueira
Comunicação CFC
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