O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) participou, na manhã desta quinta-feira (9), de encontro no Ministério da Justiça para discutir estratégias de prevenção à lavagem de dinheiro. A agenda busca ampliar a atuação da contabilidade no enfrentamento a ilícitos financeiros, além de fortalecer a confiabilidade das informações que sustentam decisões públicas e privadas no país.
Participaram o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas; o presidente do CFC, Joaquim Bezerra; a vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho, Sandra Campos; e o chefe da Procuradoria Jurídica do CFC, Rodrigo Magalhães.
No centro das discussões esteve o papel da contabilidade na identificação de irregularidades e na produção de informações confiáveis, base para a confiança pública. “O que abala a confiança pública é a corrupção e o crime. E essa confiança, quem pode dar, é a contabilidade”, afirmou o presidente Joaquim Bezerra.
A prevenção à lavagem de dinheiro foi apontada como um dos principais eixos da agenda institucional. A vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do CFC, Sandra Campos, ressaltou o caráter técnico e preventivo da atuação contábil, baseada na análise de informações e na identificação de indícios de irregularidade, sempre nos limites do exercício profissional.
Para ela, a atuação preventiva também passa pelo cumprimento rigoroso das normas e pela qualificação contínua dos profissionais da contabilidade: “Não podemos aceitar que, por falta de conhecimento e de informação, ele seja envolvido no crime, como um inocente útil, como um instrumento da bandidagem. Vamos trabalhar fortemente na capacitação e na valorização do nosso profissional”.
Joaquim Bezerra também destacou o impacto do controle do exercício profissional na redução de práticas ilícitas. “Se eu retiro o profissional irregular do sistema, eu dificulto a abertura de empresas usadas para lavar dinheiro”, declarou. Segundo ele, a fiscalização do exercício profissional é um dos instrumentos de proteção da sociedade.
Cooperação no combate ao crime
A discussão avançou para a cooperação entre o CFC e os órgãos de segurança pública nacional, com foco na participação da contabilidade em estruturas de inteligência e no intercâmbio de informações para identificação de indícios de irregularidades. “Precisamos estar incluídos nos núcleos de inteligência, contribuindo com a nossa capacidade técnica”, afirmou Bezerra.
Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o enfrentamento ao crime organizado exige a integração entre análise técnica e atuação institucional. “O combate ao crime organizado não é apenas com arma. É também com inteligência e análise de dados”, disse.
O secretário também chamou atenção para um dos principais desafios operacionais dessa agenda: a destinação de bens apreendidos em operações contra o crime. “Há bilhões em bens apreendidos que precisam ser organizados e devolvidos à sociedade”, explicou Chico Lucas.
A reunião reforça o papel da contabilidade como instrumento técnico e estratégico no enfrentamento ao crime financeiro, especialmente na qualificação das informações e no apoio à identificação de irregularidades.
Ana Paula Leitão
CFC
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