Especialistas defendem contadores como agentes estratégicos no combate à corrupção e aos crimes financeiros

Brasília recebeu o Brazil PAO Summit 2026 nesta quarta-feira (11), evento com uma programação qualificada de debates sobre temas que as organizações da comunidade contábil internacional discutem, essencialmente em torno de chegarem a soluções que fortaleçam a profissão contábil nos países. Um dos painéis desse programa foi “O Papel da Contabilidade na Governança contra Crimes Financeiros e Corrupção”, assunto de grande relevância na pauta global.

O painel reuniu representantes de três organizações membros da União dos Contabilistas e Auditores de Língua Portuguesa (UCALP). No palco, a vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Sandra Campos, e a bastonária da Ordem dos Contabilistas e dos Peritos Contabilistas de Angola (OCPCA), Cristina Silvestre, dialogaram sobre distintas problemáticas e práticas institucionais de combate à lavagem de dinheiro, prática conhecida como “branqueamento” em Angola e outros países de língua portuguesa. O diálogo foi conduzido por perguntas do presidente da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas de Portugal (OROC), Virgílio Macedo, que atuou como mediador do painel.

A conversa entre as convidadas fluiu como um intercâmbio de informações e conhecimentos sobre como a legislação do Brasil e de Angola tratam os crimes financeiros, e sobre como o CFC e a OCPCA orientam e fiscalizam os profissionais registrados sobre as práticas criminosas que, invariavelmente, precisam do envolvimento de contadores para acontecer. Entre as ações, elas mencionaram a constante atualização das entidades, o investimento em atividades de educação continuada, e a preparação de materiais educativos direcionados para os profissionais.

“Como nossa profissão envolve muitos riscos, nós temos que criar mecanismos de proteção e conscientização. Sendo órgãos de fiscalização e de controle, estamos sempre correndo atrás de informações sobre como os criminosos atuam, para alertarmos os profissionais. O crime se instala e nós vamos lá entender, e estabelecer medidas para mitigar os efeitos, para combater e punir contadores que se utilizem da profissão para envolvimento em práticas criminosas”, explicou a vice-presidente Sandra.
Após contextualizarem como se dá a formação do profissional contábil em seus países e como são apoiados pelas entidades de registro da profissão, todos os participantes concordaram que essa responsabilidade imputada aos profissionais contábeis é também o que os coloca na linha de frente do combate contra a lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

“O contador não é simplesmente um executor das ciências contábeis, mas um profissional que defende a confiança pública, e dessa forma deve agir sob responsabilidade ética e legal”, defendeu Virgílio. “Eu costumo dizer que os contadores e os auditores devem ser os guardiões da defesa da ética. E não existe meia ética, ou um quarto de ética. Ou se tem, ou não. E por isso, como o contador atua nessa primeira linha de defesa contra operações suspeitas, é importantíssimo a sua intervenção no sentido de implementar a transparência e a conformidade das operações”, argumentou o presidente da OROC.

A bastonária Cristina elogiou a iniciativa de troca de experiências possibilitada pelo PAO Summit. “Como parte da UCALP, é importante nossas organizações seguirem a mesma linha de combate à corrupção, pois todo cuidado é pouco no quesito do tratamento da informação financeira das empresas. Eu creio que o contabilista de apenas ‘débito e crédito’, como dizemos em Angola, já está enterrado. Hoje existe muito mais para além da contabilidade básica, e matérias como essa discutida hoje nesse painel, são um desses assuntos que precisamos estar alinhados”, concluiu.

Por Gabriella Avila
Comunicação CFC

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