Reconhecimento social da contabilidade é destacado por Antonio Lavareda em seminário do Sistema CFC/CRCs

“Como é que diferentes profissões são percebidas e valorizadas pela sociedade?”. Foi com essa pergunta instigante que o cientista político e escritor brasileiro, Antonio Lavareda, levou o público do Seminário de Planejamento Estratégico e Governança do Sistema CFC/CRCs a refletir sobre a imagem institucional da profissão contábil. A exposição aconteceu na manhã desta terça-feira (10), em Brasília/DF, e foi direcionada ao público de mais de 1.200 profissionais da contabilidade do Sistema CFC/CRCs.

Segundo Lavareda, o posicionamento social das profissões vai muito além dos serviços que ela presta. “A importância da imagem profissional decorre do fato de que ela não é definida apenas pela atividade que executa. Ela também é definida pela forma como a sociedade percebe e valoriza essa atividade. As profissões possuem uma imagem pública que é construída ao longo do tempo”, explicou.

O cientista político ainda comentou sobre a importância da história de uma atividade profissional em sua reputação. De acordo com o palestrante, a imagem construída socialmente e ao longo dos anos influencia a confiança social, o reconhecimento institucional, assim como traz valor economicamente à atividade.

O palestrante também disse que a posição social de uma profissão costuma depender de três dimensões. A primeira trata-se da importância, ou seja, o quanto a atividade é essencial para o funcionamento da economia e da sociedade de uma forma geral. A segunda, está relacionada ao capital de confiança. “É a credibilidade pública e a ética da profissão”, informou. O terceiro elemento, segundo Lavareda, é referente ao status social. “O reconhecimento institucional e a valorização econômica”, elucidou. O cientista social ainda pontuou que, em muitas profissões, as três dimensões caminham juntas.

Dando continuidade, os participantes do seminário conheceram a imagem dos profissionais da contabilidade no exterior. O escritor compartilhou com o público a percepção da contabilidade nos Estados Unidos, na Alemanha, no Reino Unido, na França, assim como nos países nórdicos.

Em seguida, focou no cenário nacional. Nesse contexto, apresentou alguns números da contabilidade brasileira, como quantidade de contadores e técnicos em contabilidade e idade média da classe. Dentro desses aspectos, destacou que um fator importante da profissão do Brasil é a grande capilaridade. “Os contabilistas estão presentes em todos os setores da economia”, pontuou.

Os participantes do Seminário ainda conheceram dados sobre como a categoria se enxerga e como a sociedade analisa os profissionais da contabilidade. Sobre esse tópico, afirmou, com base nos dados apresentados, que 97% dos cidadãos os consideram confiáveis, 96% muito profissionais e 91% atualizados tecnologicamente, entre outras avaliações.

A partir da pesquisa apresentada, Lavareda citou os principais aprendizados adquiridos por meio dos dados: “a profissão tem elevado capital reputacional; a sociedade reconhece mais do que a categoria percebe; o gargalo não é a confiança, mas a narrativa; e o desafio é converter confiança técnica em status simbólico”.

Ao analisar o cenário econômico brasileiro atual, o cientista político apresentou ao público a nova oportunidade para a classe contábil: a centralidade do contador na economia brasileira, a partir da Reforma Tributária. “O contador torna-se cada vez mais gestor da transição tributária, intérprete da legislação e estrategista”, alertou.

O palestrante afirmou que a classe vai assumir a função de gestora da transição. “A reforma exige das empresas revisão de contratos, adaptação de sistemas, redefinição de preços, reorganização das cadeias produtivas. A Reforma Tributária também é uma reforma da gestão empresarial. E o contador, então, assume o proscênio como estrategista, estratega dessa nova base”, enfatizou. Lavareda lembrou que “o sistema tributário será mais simples no longo prazo. Mas, a transição é inevitavelmente complexa”, observou.

Entre alguns caminhos para o posicionamento da área, o escritor citou a ênfase em governança e em compliance; narrativa de protagonismo econômico; valorização simbólica da profissão; e integração com debates nacionais, como a Reforma Tributária, a sustentabilidade, a inteligência artificial e a inovação.

Ao concluir, Lavareda afirmou que a profissão possui posição central no funcionamento economia. Destacou também que, de acordo com as pesquisas, a sociedade confia e reconhece a classe e ressaltou que o cenário atual oferece oportunidades para que se possa ampliar, ainda mais, o protagonismo das Ciências Contábeis no país. “A contabilidade brasileira já tem confiança. O próximo passo é disputar status”, concluiu.

Por Lorena Molter
Comunicação CFC

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