Painel Estratégico destaca construção do planejamento com foco no diálogo institucional

O espírito de entrega e união marcou o início de um dos ciclos mais decisivos do Sistema CFC/CRCs durante o primeiro dia do Seminário de Planejamento Estratégico e Governança, em Brasília. A construção de um planejamento eficaz foi o tema do Painel Estratégico, conduzido pelo presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim Bezerra, com participação do contador e professor Luís Fernando Guedes, da Fundação Instituto de Administração (FIA).

“Trabalhar com amor é o que nos impede de cansar. Quando dedicamos nossa energia a algo maior, o cansaço dá lugar à renovação. É com esse espírito que vamos construir não apenas um documento técnico, mas um testemunho de fé no futuro da nossa profissão. O Sistema CFC/CRCs deve enfrentar as mudanças e a velocidade das transformações impulsionadas pela tecnologia e, por isso, decidimos revisitar nossa rota. O que antes era planejado para dez anos agora ganha um horizonte de cinco”, reforçou o presidente do CFC.

Segundo Joaquim Bezerra, o planejamento estratégico não se resume a métricas, mas ao cuidado com o que é construído hoje para gerar resultados no futuro. “Em uma terra influenciada por tantas variáveis, precisamos garantir que a semente da contabilidade continue a germinar e prosperar com vigor. Este planejamento é um organismo vivo que nasceu da escuta ativa e do diálogo com conselheiros, diretores, funcionários e entidades correlatas. Mas queremos ir além. Estamos prontos para ouvir a base, os contadores e contadoras que vivenciam o dia a dia da profissão”, acrescentou.

O líder do CFC destacou ainda que a entidade amplia o diálogo com diferentes setores da sociedade e instituições do país. “Ouviremos do Supremo Tribunal Federal ao Sebrae, da Receita Federal aos influenciadores que conectam milhões de usuários. Estamos preparados para ouvir, inclusive, o que não queremos ouvir, pois é fora da zona de conforto que encontramos a verdadeira recompensa e o aprendizado para evoluir”, afirmou.

Para Joaquim Bezerra, a profissão contábil clama por valorização, respeito e geração de valor. “Só conseguiremos alcançar esses objetivos se estivermos convictos e unidos. O planejamento estratégico é a ferramenta que guiará nossos projetos e metas, transformando gestão em governança de excelência. Primeiro se pensa, depois se constrói a ideia, depois se soma. Seremos enxergados pela luz que emitimos e pelo valor que transformamos”, encerrou.

O exercício das escolhas estratégicas

O professor e contador da FIA destacou a importância do planejamento estratégico ao longo da trajetória institucional e no momento atual da contabilidade. “Manejar estrategicamente, senhoras e senhores, não é acertar o futuro. Acertar o futuro é sobre-humano, ainda mais em um país e em um mundo tão complexos como os que vivemos. O planejamento estratégico de qualquer companhia ou organização é, sobretudo, um exercício de escolha estratégica. É escolher. Ser bom em tudo não é possível. Então, precisamos escolher: ser bons em quê?”, indagou Guedes.

Para ele, a resposta não está apenas nos manuais técnicos, mas na mente e no coração de cada liderança contábil. “Nossa razão de existir é o serviço. Uma instituição — e um profissional — existem para servir. E, quando paramos de servir com propósito, perdemos nossa natureza.”

Segundo Luís Guedes, a era da Inteligência Artificial traz ferramentas capazes de resolver fragmentos de cada profissão, mas não substitui o contador. “A tecnologia não sente frio, não sente fome, não sente saudade e, fundamentalmente, não sabe servir. Em um momento em que a técnica parece onipresente, nunca foi tão importante sermos profundamente humanos. É a nossa capacidade de lidar com a ambiguidade, com a dúvida e com a conexão real que firma o solo onde a nossa profissão pisa. O plano estratégico é o mapa, mas a nossa humanidade é a bússola”, afirmou.

Durante sua fala, o professor da FIA também deixou um alerta aos participantes: “se tudo é prioridade, nada é”. “A estratégia nos ensina que, para fazer algo com maestria, precisamos renunciar ao acessório. É o caminho do mestre: fazer poucas coisas, mas fazê-las com perfeição. Este planejamento, construído com o rigor científico da FIA e a experiência de muitas mãos, é um compromisso firmado com o futuro. Ele ultrapassa mandatos e gestões; pertence à história da contabilidade brasileira”, finalizou.

Ao encerrar o painel, Joaquim Bezerra reforçou a importância da visão estratégica para orientar os valores do sistema. “Se conseguimos enxergar, podemos alcançar. Isso é visão, e essa visão nos leva aos valores do sistema. Valores são inegociáveis. Como destacou o professor Luís Guedes, eles não estão em ordem de importância, mas em ordem alfabética. A partir deste novo planejamento estratégico, o sistema contábil brasileiro reafirma como inegociáveis a excelência, a inovação, a integridade, o pertencimento e a transparência. E assumo aqui o compromisso de promover esse exemplo”, concluiu.

Por Rhafael Padilha
Comunicação CFC

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