Presidente do CFC fala sobre as transformações da profissão contábil na era digital

Por Rafaella Feliciano
Comunicação CFC

O presidente do Conselho Federal de Contabilidade, Zulmir Breda, participou, nesta terça-feira (5), da 26ª Convenção dos Profissionais de Contabilidade do Estado de São Paulo com a palestra “As transformações da profissão contábil na era digital”.

Em sua apresentação, Breda trouxe informações do cenário internacional sobre as inovações tecnológicas, como os computadores quânticos e o aprimoramento da Inteligência Artificial. No âmbito da contabilidade, o presidente do CFC apresentou diversas pesquisas que mostram como a tecnologia tem impactado o ambiente de negócios e a necessidade de mudanças no perfil profissional para a ocupação de novos espaços e oportunidades.

O presidente do CFC iniciou a palestra com informações sobre uma publicação produzida pelo Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (CPAS), em parceria com a entidade de CPA do Canadá, que apresenta diversos motivos para que os contadores sejam encorajados a continuar aprendendo sobre Inteligência Artificial e outras tecnologias.

Foto: CRCSP

“Com competências comercial e de liderança, bem como com habilidades aprimoradas em temas como estatística, ciência da informação e análise gerencial de dados, os futuros contadores continuarão a ocupar um papel imprescindível no desenvolvimento sustentável das economias”, ressaltou.

Estudos da Federação de Auditores da Dinamarca (FSR) mostram que é imprescindível a adoção de novas estratégias para garantir que os profissionais possam utilizar as ferramentas tecnológicas, desenvolver os seus negócios e fortalecer as relações com clientes e governos. A ideia, de acordo com a entidade, é incluir temas como soluções digitais e uso de dados como parte integrante de programas educacionais; treinamentos sobre a nova realidade digital; e uma regulamentação mais ágil e flexível.

Seguindo esse pensamento, o presidente do CFC citou informações de uma pesquisa da Federação Internacional de Contadores (Ifac, sigla em inglês) que mostra que um sólido histórico em finanças e contabilidade, isoladamente, não é mais suficiente para tornar o profissional um parceiro de negócios com valor agregado a longo prazo. “É preciso mais. Muito mais. Devemos inserir a tecnologia em nossos cursos de Ciências Contábeis. Aprimorar nossos conhecimentos. Sermos mais estratégicos, versáteis, atentos às novas tendências dos mercados e as necessidades dos clientes”, ressaltou.

Outra transformação são as novas formas para a geração de valor agregado. Uma pesquisa do CPA Canadá identificou a necessidade de se considerar novas maneiras de ajudar as organizações na construção desses valores. Para isso, a instituição ressalta ser interessante considerar o relato de fatores não financeiros, incluindo cultura, marca e sustentabilidade.

E as novas tecnologias podem ser uma ameaça à ética? Para Zulmir Breda, a resposta é não. Ele acredita que o papel dos contadores será, mais do que nunca, desenvolver uma estrutura voltada a garantir que empresas e sistemas operem de acordo com os princípios éticos.

Foto: CRCSP

“O nosso novo Código de Ética Profissional do Contador, em vigor desde 1º de junho, por exemplo, já apresenta especificidades ao novo cenário contábil e, certamente, ainda passará por novas atualizações”, completou.

Outra medida está na prática do ceticismo profissional que, segundo ele, torno-se imprescindível com o avanço das transformações tecnológicas. “Os profissionais precisam ter um olhar muito mais crítico sobre tudo o que examinam, dada a sua importância para assegurar a governança e os controles das organizações”

Ao final da apresentação, Zulmir Breda enfatizou a contribuição dos profissionais da contabilidade para o desenvolvimento sustentável do País. Para ele, a Sociedade 5.0 nos mostra o valor da inteligência humana. “O mundo passa por grandes mudanças, mas o papel do contador continua sendo estratégico, tático e operacional. Se estivermos preparados, atentos às mudanças, não há o que temer. Por isso, que sejamos agentes de transformação. Que possamos caminhar lado a lado com a tecnologia e que ela não seja uma ameaça, mas a solução para o aprimoramento da contabilidade no mundo. Porque, sim, nós podemos salvar o mundo”, concluiu.

 

 

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